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Nasceu no ano de 1917, quando o governo João Pinheiro, em Minas Gerais, notificava aos fazendeiros a autorização para importar zebu da Índia.
Rubico dizia: “Nasci praticamente com o zebu em casa”.
Em 1935, Rubico, com seus 18 anos, associou-se ao trabalho do pai na fazenda Cabaçal, em Uberaba, MG.
Em 1938, a Fazenda Cabaçal consolidou-se como um dos melhores criatórios do país.
Seis anos mais tarde, 1944/45, a quebradeira do zebu levou de roldão criadores de todo porte e tamanho. O jeito foi largar no pasto a sobra do plantel, em Uberaba, e ir plantar lavoura na fazenda Limoeiro, em Barretos. |

“Joana, vamos mudar para Barretos?”, propôs o marido à sua fiel escudeira. “Essa foi a maior felicidade da nossa vida”, relembra dona Joana Neli Prata de Carvalho. “A acolhida de nossos parentes foi maravilhosa”; aconteceu então o renovo de forças que só é possível quando existe amor. “Qualquer amor já é um descanso na loucura”, dizia o criador de Riobaldo, o vaqueiro de papel.
A mudança para Barretos foi dessas escolhas que colocam o trem da vida no trilho certo.
Se aos 88, Rubico de Andrade Carvalho trabalhava 13 a 14 horas por dia, imagine como deveria ser com 50 anos a menos. “Meu pai nunca aceitou um convite desses, de ir para um lugar e ficar descansando”, contou Chico, o filho mais velho, “não pára de trabalhar enquanto não escurece”.
Trabalhar como se “esta vida fosse um dia de capina com sol quente”. Rezar também, que o velho Rubico era homem religioso e temente a Deus.
Em 1948, com o dinheiro da lavoura, o rebanho estava novamente crescendo, dessa vez em sociedade com o irmão João Humberto.
Em 1950, os dois contaram com mais de 600 matrizes registradas.
Em 1954, Rubico realizou um sonho: comprar as terras de Godofredo Machado. Ao escolher o nome da propriedade, homenageia as brumas que cobrem os céus da região.
No caramanchão da Fazenda Brumado, em meio ao jardim magnífico, obra-prima de dona Joana Neli ao longo de décadas, Rubico deixou de responder, mais uma vez, se a compra da fazenda representou um ativo favorável à época. Tocou nas mãos da esposa e num rasgo galanteador diz bem alto: “Sorte na vida foi ter encontrado você, meu amor!”
Rubico viveu até os 92 anos, participou da última importação de gado da Índia, em 1962. Sem medo, investiu durante 10 anos nos Estados Unidos, levou nelore para os americanos e foi o responsável por trazer o Brahman para o Brasil. Com certeza uma trajetória de muito orgulho para toda a família, com exemplo de persistência e talento para mudar os rumos da história.